IV Congresso de Zootecnia, UTAD, Vila Real 3-5 Março 1994
Revista Portuguesa de Zootecnia, Ano I, nº 2, pp. 107-116
(1994)
Pode ser consultado na Biblioteca da ESACB
Utilização
do colostro no aleitamento de vitelos com um dia de interrupção semanal no
fornecimento do alimento lácteo
Escola
Superior Agrária de Castelo Branco, Quinta da Srª de Mércules, 6000 Castelo
Branco - Portugal
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e-mail: amrodrig@esa.ipcb.pt
Com
o objectivo de estudar o efeito da supressão de uma das sete refeições semanais
de alimento lácteo no desenvolvimento, ingestão de alimentos, de água e no
índice de conversão de vitelos Holstein Friesian durante os 28 dias de
aleitamento e nos 14 primeiros dias após o desmame, foram constituídos dois
grupos com 6 vitelos cada um, provenientes do efectivo bovino leiteiro da
ESACB, homogéneos em relação ao peso ao nascimento, sexo e número de parto da
mãe.
Os
vitelos do Grupo 1 (G1) tiveram um regime alimentar normal enquanto que os vitelos do Grupo 2 (G2) apenas
receberam o alimento lácteo 6 dias por semana. Em ambos os grupos os animais
ingeriram, como alimento lácteo substituto do leite materno, colostro
fermentado naturalmente à temperatura ambiente de Outono/Inverno. Devido à
supressão de uma refeição de colostro, o consumo diário de matéria seca (IMS)
do colostro foi maior (P<0.05) nos vitelos do G1 (344.20 g/dia ±11.06) do
que nos vitelos do G2 (302.17 g/dia ±13.29). No entanto a IMS total foi
semelhante nos dois grupos sendo para o G1 e G2 respectivamente de 823.43
(±113.62) e 838.04 g/dia (±150.43)(P>0.05), o que indica ter havido uma
substituição da IMS do colostro por IMS do concentrado. Como seria de esperar
os vitelos do G2, no dia da interrupção na distribuição de colostro, beberam
significativamente mais água (P<0.05) (4.38 Kg/dia ±0.27) do que os vitelos
do G1 (2.63 Kg/dia ±0.32) no mesmo dia.
A
supressão da refeição de colostro parece não ter afectado o crescimento dos
vitelos uma vez que os animais dos dois grupos tiveram, durante o aleitamento,
ganhos de peso diário (GPD) semelhantes (P>0.05) sendo de 0.438 Kg/d
(±0.142) para G1 e de 0.420 Kg/d (±0.099) para o G2. Nos primeiros 14 dias após
o desmame o GPD foi ligeiramente superior (P>0.05) no G2 (0.899 Kg/d ±0.171)
quando comparado com o G1 (0.833 Kg/d ±0.220).
O
índice de conversão alimentar (IC) foi igual durante o aleitamento sendo para o
G1 e G2, respectivamente de 1932.56 (±507.13) e de 1966.24 gMS/Kg de peso ganho
(±268.39) (P>0.05). No entanto, após o desmame, o IC foi favorável ao G2 em
relação ao G1 sendo respectivamente de 1899.35 (±312.67) e de 2311.85 gMS/Kg de
peso ganho (±792.13) (P>0.05).
Ao fazermos o estudo
económico dos dois sistemas de aleitamento verificámos uma redução de 9% nas
despesas com o aleitamento dos vitelos do G2. A ser implementada esta técnica
permitirá diminuir a mão de obra, ao domingo, numa exploração de bovinos de
leite.