Tese de Mestrado, FMV, UTL, Lisboa, 100 pp. (1989)
Pode ser consultado na Biblioteca da ESACB
Rodrigues AM
Utilização
do Colostro Fermentado Naturalmente e Colostro Tratado com Ácido propiónico no
aleitamento de vitelos
[Natural fermented colostrum and propionic
acid treated colostrum as a milk replacer for calves] (MSc thesis)
e-mail: amrodrig@esa.ipcb.pt
Resumo
A programação deste trabalho de tese, a
sua implementação, a sua vivência empenhada ao longo de alguns meses e o
tratamento dos resultados obtidos, permitem-nos chegar a algumas conclusões que
reputamos importantes e com presumível reflexo no futuro do aleitamento de
vitelos.
A quantidade média de colostro produzida
nas 9 primeiras ordenhas de vacas Holstein Friesian, é suficiente para garantir
as técnicas de aleitamento com colostro propostas neste trabalho. Se, eventualmente,
algumas vacas de 1ª e 2ªlactação, não atingirem a quantidade mínima de colostro
necessária para o aleitamento, este poderá ser obtido utilizando os excessos de
produção de outras vacas.
A temperatura ambiente e o tempo de
armazenamento contribuem, decisivamente, para a evolução da composição do colostro. Temperaturas ambientais
elevadas, aceleram a diminuição do valor nutritivo deste alimento líquido.
Embora o ácido propiónico (1%) possa ser utilizado como aditivo, no nosso
ensaio não verificámos vantagens na sua utilização como conservante, talvez
porque as temperaturas médias do local de armazenamento dos 3 tipos de colostro
nunca foram demasiado elevadas (<=18,7 ºC).
A ingestão de matéria seca a partir do
alimento lácteo foi significativamente maior para os vitelos alimentados com
leite de substituição comercial (P<0,01). Estes animais, também ingeriram
maior quantidade de matéria seca total durante todo o aleitamento (P<0,01).
No entanto, não houve resposta produtiva a esta maior ingestão, já que os ganhos de peso durante o aleitamento
foram idênticos para os 4 grupos (P>0,05). Pelo contrário, o índice de
conversão foi bastante maior no Grupo 4 (P>0,05), o que traduz uma menor
eficiência alimentar da matéria seca ingerida.
O ganho de peso diário e o índice de
conversão durante o aleitamento, foram muito semelhantes para os vitelos
alimentados com uma dieta líquida composta por colostro.
Houve maior incidência de rejeições do
alimento lácteo nos vitelos alimentados com colostro acidificado com ácido
propiónico e com colostro fermentado naturalmente na Primavera/Verão. O baixo
pH e a acidez elevada, terão sido, na nossa opinião, factores decisivos. No
entanto, ao fim de pouco tempo (2-3 dias), os animais tinham-se habituado aos
alimentos em questão.
Detectámos uma baixa incidência de
diarreia nos vitelos dos 4 grupos durante o aleitamento.
No período pós-desmame, a resposta
produtiva dos animais dos vários grupos foi idêntica (P>0,05) não se tendo
notado qualquer influência decisiva do tipo de alimento líquido usado na fase
de aleitamento.
Pela análise económica dos 4 sistemas de
aleitamento, verificamos que a utilização do excesso de colostro reduz
consideravelmente as despesas inerentes a esta fase da vida dos vitelos (4 vezes menos), quando
comparada com a utilização de leite de substituição comercial.
Como conclusão final, referiríamos que é
possível valorizar os excessos de colostro no aleitamento de vitelos com uma
refeição diária de alimento líquido e desmame precoce aos 28 dias, resultando
daqui uma maior economia de produção sem afectarmos o crescimento dos animais
até aos 42 dias de vida.