Tese de Mestrado, UA, Açores, 49 pp. (2007)
Pode ser consultado na Biblioteca da ESACB
Dias, SDF
Efeito de diferentes regimes alimentares
sobre a qualidade do leite produzido
[] (MSc thesis)
e-mail: sandra@esa.ipcb.pt
Resumo
Com o objectivo de avaliar o efeito do regime alimentar
sobre a produção e composição de leite de vacas Holstein Friesian, realizou-se um ensaio em
que foram utilizados os seguintes regimes alimentares diferenciados e isoenergéticos: predominando a
silagem de milho (36,9Mcal de Enet); predominando a pastagem de consociação (trevo branco x festuca) (36,0Mcal de Enet);
regime alimentar base onde predominaram os fenos de aveia e luzerna (34,3Mcal de Enet).
Efectuaram-se recolhas de amostras de leite semanais, das duas ordenhas diárias das seis vacas utilizadas para o estudo.
Os alimentos utilizados foram analisados no Laboratório de Nutrição Animal da Escola Superior Agrária de Castelo Branco. O leite foi analisado nos laboratórios de Química, Bioquímica e Instrumentação Analítica da mesma instituição.
Os resultados foram os seguintes.
Influência do regime alimentar sobre a
composição do leite em relação: ao teor butiroso [pastagem 3,81% (±0,52), silagem milho 4,04% (±0,76), feno 3,66% (±0,66)]
(P>0,05); ao teor proteico [pastagem 3,09% (±0,28), silagem milho 3,18% (±0,20) feno 2,98% (±0,21)] (P>0,05);
à produção semanal de leite [pastagem 229,69kg (±25,03), silagem milho 207,18kg (±28,86), feno 222,69kg (±26,52)]
(P<0,05); à ureia [pastagem 225,92ppm (±74,95), silagem milho 171,67ppm (±44,33), feno 194,58ppm (±64,46)]
(P<0,05); aos ácidos gordos do leite (C14:1cis9) [pastagem 0,73% (±0,28), silagem milho 1,09% (±0,22),
feno 0,91% (±0,19)], ácido gordo isoC16:0 [pastagem 0,78% (±0,08), silagem milho 1,02% (±0,21), feno 0,89%
(±0,10)], (C16:0) [pastagem 22,71% (±1,76), silagem milho 31,40% (±2,93), feno 25,84% (±2,18)],
(C18:0) [pastagem 10,41% (±1,81), silagem milho 6,86% (±1,38), feno 8,21% (±1,58)],
(C18:1cis9) [pastagem 20,94% (±4,68)), silagem milho 14,56% (±2,29), feno 18,22% (±3,35)] (P<0,05);
à caseína k [pastagem 8,90% (±2,09), silagem milho 8,24% (±2,22), feno 7,90% (±2,80)] (P>0,05);
à caseína ß [pastagem 30,57% (±7,36), silagem milho 26,52% (±9,63), feno 26,41% (±7,04)]
(P>0,05); à caseína aS1 [pastagem 43,34% (±7,94), silagem milho 41,57% (±6,03), feno 39,40% (±4,79)] (p> 0,05);
à caseína aS2 [pastagem 8,64% (±2,80), silagem milho 7,23% (±3,61), feno 7,56% (±2,56)] (P>0,05).
Conclui-se que a utilização de pastagem na alimentação das vacas
aumenta a produção de Ácido Linoleico Conjugado (CLA) em 36% em relação à silagem de milho e em 15% em
relação ao feno. A silagem de milho favorece o aumento dos ácidos gordos de cadeia curta enquanto que a
pastagem favorece os ácidos gordos de cadeia longa.
Embora não tenhamos encontrado diferenças estatisticamente significativas em relação à
produção das diferentes caseínas per si, a utilização de pastagem permitiu obter leite com maior quantidade
total de caseínas.
A silagem de milho favorece o aumento dos ácidos gordos de cadeia curta enquanto que a
pastagem favorece os ácidos gordos de cadeia longa.
Palavras-
chave: pastagem; silagem de milho; leite; CLA; caseínas; ácidos gordos.